Mostrar mensagens com a etiqueta diabetes gestacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta diabetes gestacional. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de setembro de 2014

Diabetes??? Eu???

- Por Filipa Barros - 


Foi mais ou menos a minha reação quando, logo nas análises do primeiro trimestre, o valor da glicose em jejum indicava uma possível complicação da gravidez. Como tenho hipotiroidismo fui encaminhada para a consulta externa no Hospital de São João.

Fiquei um bocadinho abananada com a situação. A médica endocrinologista disse logo "este valor é diabetes gestacional", a enfermeira deu-me a maquineta de medir a glicemia e explicou-me o funcionamento e que as pesquisas na fase inicial seriam apenas antes e depois das refeições principais. A nutricionista estabeleceu-me um plano alimentar adequado e muito semelhante ao que já fazia. Fui para casa a digerir toda aquela informação e a pensar mais na saúde do meu bebé que na minha...

Os dias que se seguiram foram um tormento, os meus valores não pareciam ter lógica nenhuma e independentemente do que comesse ou fizesse não havia um padrão, uma lógica. Cheguei a chorar e a desesperar-me... afinal, há anos que faço desporto a sério e, apesar de algum peso a mais, sou mais resistente que a maioria das mulheres da minha idade, cumpria a dieta escrupulosamente, pesava a comida e até media os mililitros de leite, andava a pé a seguir às refeições e continuei a ir ao ginásio até ao fim da gravidez. Por isso não conseguia perceber... Mas não havia nada para perceber, a diabetes gestacional é mesmo assim, pim pam pum calhou-me a mim.

Claro que há fatores de risco, mas ninguém consegue explicar porque é que aparece a umas grávidas e não a outras. Acredita-se que poderá ter a ver com o facto de a insulina e algumas das hormonas da gravidez serem molecularmente semelhantes e competirem umas outras, também poderá ser porque o útero em crescimento e o reajuste dos orgãos internos confundem o pâncreas e este deixa de funcionar corretamente, mas ao certo ninguém sabe porquê.



Senti durante algum tempo que a culpa era minha (culpa e maternidade caminham de mãos dadas!), mas ninguém tem culpa, né? Aliás, eu sou o exemplo de que, muitas vezes, a diabetes gestacional é como é porque sim. Pensava frequentemente que, se não tivesse cuidados com a alimentação e não fizesse exercício, então aí é que seria mesmo complicado. No final, além das pesquisas tomava insulina rápida e lenta várias vezes por dia, de cada vez que ia à consulta os valores de insulina tinham de ser reajustados, normalmente para cima. Finalmente, tivemos que 'despejar' a pequena pois a situação começava a ser perigosa para mim.

Com este testemunho eu pretendo dar a conhecer a minha experiência, para que outras grávidas saibam que não é fácil mas é possível levar a gravidez com calma e alegria, mesmo quando se tem uma complicação. Estou grata de ter tido uma complicação que me obrigava a mexer; se assim não fosse penso que teria sido mais complicado.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Amamentação e aleitamento - as nossas experiências #10

- Por Filipa Barros -

Já algumas colegas mamãs disseram que o maior medo durante a gravidez era o parto, outras que era a amamentação; no meu caso, o maior medo era perder a minha menina, porque já tinha acontecido (um dia faço um post sobre isso)... Nunca pensei muito no primeiro desses medos, porque afinal a humanidade chegou até aqui! Mas pensei no segundo, até porque toda a minha vida ouvi a minha mãe dizer que amamentar é horrível e que só o fez por saber que era o melhor para nós. Os problemas dela tinham que ver com produção excessiva; para terem ideia, quando eu nasci ela dava de mamar a mim e a um dos gémeos da cama ao lado, e depois em casa era só eu... estão a imaginar, não é?

Bem, mas a minha experiência: tudo começou na primeira hora de vida da baby Carlota, em que mamou com muito boa pega por 45 minutos! Enquanto estive no hospital e nos primeiro 3 meses, mamou sempre muito demoradamente, cerca de 1 hora para cada mamada. Isso inevitavelmente acabou por me macerar os mamilos, e usei muito Purelan, usei conchas arejadoras, mamilos de silicone, creme reparador da D'Aveia e discos de hidrogel. Ao fim de 3/4 semanas os mamilos estavam habituados, as dores desapareceram e as mamadas da pequena eram apenas demoradas. Quanto à subida/descida do leite, não dei conta, simplesmente uma vez, ainda no hospital, no segundo dia de vida da menina, dei conta que já era leite. Mais tarde, tive um engurgitamento em cada mama, ambos de noite, provavelmente em picos de crescimento; usei calor (com saco de sementes) e foi a pequena que resolveu mamando.

Depois começou o verdadeiro celeuma... Como tive diabetes gestacional (o que dava outro post...), ela nasceu com menos de 3kg, e, como só aumentava de peso nos valores mínimos (mas aumentava!), os profissionais de saúde azucriavam-me a paciência para lhe dar suplemento, até mesmo depois de se constatar que estava a crescer 1 cm por semana, o que aconteceu nas primeiras 12 semanas. Depois de ouvir tanta coisa, até me disseram 'mãe, temos que ajudar este bebé'. Num dia em que ela estava mais chorosa, resolvemos tentar, e ela só não nos atirou o biberão à cabeça porque não conseguia pegar nele. Como é que se obriga um bebé satisfeito a comer mais??? As overdoses de leitinho são tão fortes que nem abre os olhinhos! Portanto, fiz orelhas de mercador e segui o meu instinto, até um dia em que fui pesá-la e a enfermeira me disse 'sempre deu o suplemento, não foi, mãe?'. Não. Não fiz nada diferente e a Carlota começou a engordar aos meios quilos em duas semanas.

Hoje, com 5 meses, temos 6 kg e 63 cm de sorrisos desdentados a animar os nossos dias!

Quanto a onde amamentar, basicamente em qualquer lugar! Tenho um avental, que é uma fita com molas nas pontas e uma fralda. Mas também já saquei da mama no meio do cabeleireiro de frente para a montra que dá para a rua!!!