domingo, 20 de julho de 2014

Amamentação e aleitamento - as nossas experiências #7


Quando estava grávida, o meu maior medo era o parto. Morria de medo que algo corresse mal comigo e/ou com o bebé. Relativamente à amamentação nunca tive nenhum receio. Sempre achei que iria colocar o bebé na mama e ele iria mamar. Tão simples quanto isso.

Frequentei aulas de preparação para o parto com uma Conselheira em Aleitamento Materno, e, com toda a informação que tinha, achei que estava preparada para amamentar o meu filho, que iria ser lindo e maravilhoso.

Dizem-nos que amamentar é amar, somos boas mães se amamentarmos os nossos filhos.

Pois bem, não foi nada disso que aconteceu...

O meu bebé nasceu mais cedo, com 36 semanas, e ficou na incubadora, afastado de mim. Durante esse tempo o meu peito encaroçou imenso. Quando ele veio ter comigo coloquei-o na maminha, mas por mais que ele se esforçasse o leite não saía. Tentei tudo o que as enfermeiras diziam para fazer: ocitocina, banhos quentes com massagens, fui à bomba, colocava sempre o bebé na maminha, colocaram-me seringas para puxar os mamilos e nada funcionava. O leite pura e simplesmente não saía.

Sempre que era hora de ele comer eu entrava em pânico, era uma tortura de dor, de angústia. Doía tanto que as lágrimas me caíam sem eu dar por isso. Ganhei febre e os meus peitos ficaram gigantescos de tal forma que me chamavam Pamela Anderson. Preferia ter tido outro bebé a ter de passar por aquelas dores novamente. Foram insuportáveis. Tive de tomar medicação para secar o leite.

Fiquei de rastos. Eu não iria amamentar o meu filho, eu que tanto queria. Senti-me a pior pessoa do mundo. Achei que ele iria ficar doente e sem defesas por minha culpa. Senti-me culpada, um monstro. Achei que estava a ser uma mãe horrível.

Mais uma vez tentei novamente amamentá-lo. Comprei um sistema de relactação e em todas as mamadas lhe dava o leitinho utilizando aquele sistema. Entre as mamadas estimulava com a bomba (inclusive durante a noite). Foi muito muito cansativo. O máximo que saía eram umas gotinhas e eu senti que estava a dar mais importância às mamas que ao meu filho. Não estava a ser a mãe que ele merecia.

E ficámos pelo biberão.

Dou-lhe o leitinho no biberão com todo o amor do mundo e ele olha nos olhos para mim como se eu fosse o seu mundo. E faz o mesmo com o pai e com os avós. Agora bebe o leitinho e dá-nos festinhas, é um dos nossos momentos mágicos.

Posteriormente falei com a minha obstetra e com a pediatra do meu filho, e ambas me disseram para não me preocupar, que ele estaria protegido até aos 6 meses com as defesas que adquiriu no útero, como todos os bebés, amamentados ou não. E felizmente nunca ficou doente e nunca teve cólicas.

Eis o que aprendi: amamentar não é amar, amamentar é alimentar. É alimentar com o melhor dos alimentos mas é alimentar. As mães que não podem, não querem ou não conseguem não amam menos os filhos por isso. Há quem não queira amamentar. Há quem queira e consegue. Há quem não consegue, tenta e consegue. E há quem não consegue, tenta e não consegue. Todas têm de ser respeitadas. Eu queria tê-lo amamentado e ainda hoje penso nisso, é como algo que me foi roubado, queria ter sido eu o seu alimento, o sermos só um durante mais tempo. Infelizmente não deu. Mas amor, esse, é dado a toda a hora. O amor não se mede pelas mamas :)

3 comentários:

Ni disse...

Clap Clap Susaninha!!!

Silvia Silva disse...

É isso mesmo ;) Adorei ler!

Regina Freitas disse...

Sem dúvida Susana!!! O amor vem do coração e de mais sitio nenhum! :)