sábado, 19 de julho de 2014

Presa por ter roupa e presa por não ter

- Por: Daniela Oliveira Magalhães -

Desde que a M. nasceu que há dias em que me sinto a fazer parte da história do avô, do neto e do burro. 
Se de manhã acho que está um pouco fresco e decido vestir-lhe um vestido com umas meias tipo soquete, no primeiro sítio onde for lá vem o comentário: "que bebé tão linda (mãe babada!), ai coitadinha que vai estar calor e a pequena de meias!". E pronto, se estou num dia em que nem me apetece responder que a mãe é que sabe e até acho que está a ficar quente, lá tiro as meias. Nem duas horas mais tarde, lá vem alguém dizer (e nem importa se me conhece ou não, porque desde que temos bebés parece que toda a gente se sente no direito de dar palpites) que, coitadinha, deve ter frio com os pés assim sem nada. Qual pobre coitada mesmo! 
E decido colocar-lhe as meias, que até tinha sido a minha primeira opção e ficavam bem com o vestido e tal. 
E acaba a saga das meias? Não. Lá vem outro dizer que os bebés estão melhor sem nada nos pés e coitadinhos que nem se podem defender! Como se a mãe os fosse atacar, sei lá! 

E a história repete-se com casacos, collants, mantas, etc. 
Confesso que normalmente ignoro, faço um daqueles sorrisos vazios e tento agir como se nem sequer tivesse ouvido o palpite. É outra super capacidade das mães, não é?! 

De verdade que as pessoas não equacionam que as mães fazem o que fazem de forma consciente e no melhor interesse do bebé?! E que os nossos bebés não são uns "coitadinhos"?!

4 comentários:

Regina Freitas disse...

É um facto, as pessoas opinam demasiado, não todas, mas uma grande maioria... É necessário manter a calma, ou pelo menos tentar, mesmo que estejamos a transbordar de comentários de terceiros. O mais importante é seguir o nosso instinto, pois melhor do que ninguém, uma Mãe conhece bem o seu filho e é-lhe possivel perceber os sinais e agir conforme para si é o mais correcto.

Daniela OliveiraMagalhães disse...

Não diria melhor Regina!

Suzi Correia disse...

Opinar,a maioria gosta de o fazer,mas na minha opinião,sem fundamento algum,pois não ha melhor q a mãe para saber as necessidades e carências do seu filho. E uma MAE só quer o melhor para o seu filho.

Joana Cunha disse...

É incrível a quantidade de palpites sobre tudo e mais alguma coisa que se passa a ouvir depois de ser mãe. É como se achassem que no meio de tudo, a mãe fosse a pessoa menos capaz para decidir este tipo de coisas. Pessoas que dão esse tipo de palpites são sem dúvida pessoas que não entendem o conceito de "instinto maternal". Desenvolvemos uma enorme capacidade de dar sorrisos amarelos (ou vazios como tão bem referiste), e de ignorar o que dizem como se nem tivessemos ouvido, mas a ferver por dentro. A experiência tem me dito que um "não" forte ou um "eu e o pai é que sabemos, ponto final" é o que mais tem resultado, mesmo assim, não é infalível :)